• História do Atelier Social

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    Eu era uma executiva da comunicação, havia trabalhado por muitos anos em emissoras de televisão, além de passagens por rádios, jornais e revistas e, naquela época, após Plano Collor, estava trabalhando como consultora para grandes empresas do Sul do País.

     

    Foi quando fui para um spa diferente.

     

    Sem saber o que era, hospedei-me em Nazaré, um centro de vivências que, longe de ser um spa, era considerado um centro de luz, aonde as pessoas iam para conectarem-se com a própria alma.

     

    Saí de lá, uma semana depois, completamente mexida e a primeira coisa que senti foi uma coceira na mão.

     

    Tinha vontade de resgatar a pessoa que eu era antes de entrar no turbilhão da mídia: uma moça que escrevia, fazia artes e atividades físicas.

     

    A "coceira das mãos" me levou até um armarinho e comprei tudo que gostei, sem saber o que ia fazer.

     

    Cheguei em casa com as coisas e minha irmã falou: "Por que não faz fadas?"

     

    "Fadas?", perguntei.

     

    "Sim, lá na livraria, todos me oferecem bruxas, mas eu gostaria que tivéssemos fadas", respondeu subindo as escadas em direção ao quarto.

     

    Ela trabalhava em uma livraria esotérica famosa na época, a Kairós, na Avenida Paulista.

     

    Foi então que, sentada no tapete, criei a número zero (foto).

     

    Depois, minha irmã desceu as escadas, vinda do quarto e olhou para a número zero e falou: "Fadas tem de ter pernas looongas!"

     

    Então coloquei mãos à obra e fiz a número um, mas isso é assunto para a próxima postagem.

     

    As palavras-chave foram: "fadas tem pernas looongas", ditas de passagem por minha irmã.

    Com essas palavras, a número um nasceu pronta.

    Parecia que eu havia encontrado um fluxo energético. A coceira nas mãos de antes virou inspiração e produção. Em poucos dias eu havia feito várias fadas com retalhos de tecidos, brocados, tules.

    Fiz uma inteiramente dourada, coloquei-as em uma caixa de presente e resolvi oferecer na Rua Oscar Freire, um ponto central do comércio sofisticado de São Paulo.

    Na época, eu tinha uma moto, prendi com as aranhas a caixa de presente e saí em direção aos Jardins.

    Na Oscar Freire, vi uma loja com uma fachada que me atraiu: uma casa de contos de fadas. Parei e resolvi pedir para falar com a dona e, por incrível que pareça, ela me atendeu.

    Enquanto esperava, tomei conhecimento de um outro universo: o incrível mundo das representações do plano espiritual.

    Era moda na época: bruxas, fadas, gnomos, elementais de toda a espécie, cristais, runas, tarô.

    Uma salada mista de imagens e significados do qual a ALÉM DA LENDA (esse era o nome da loja onde eu estava) era o centro.

    A dona, uma jovem bonita e forte, me atendeu, escutou a minha estranha história sobre "coceira nas mãos", viu as fadas e, enquanto me ouvia, ficou com a fada dourada nas mãos.

    Quando terminei de falar, perguntou quanto era, eu, sem saber, disse vinte dólares, uma pequena fortuna na época para o preço de uma boneca de 30 cm, algo como 150 reais hoje.

    Ela falou: "Vou ficar com essa, te pago agora e quero mais 28".

    Fiquei um pouco paralisada, muito paralisada. Agradeci e nem me atrevi a perguntar por que 28. Seria algum número especial? Estou sem saber até hoje.

    Voltei para a casa, contei o que havia acontecido, minha irmã foi até a estante, pegou uma Revista Veja e me mostrou onde eu havia estado: na revista, uma matéria de destaque informava sobre o boom da Além da Lenda.

    Foi assim, em um movimento tipo sonho/sorte que o Nina Veiga Atelier começou.

    Quando comecei a fazer bonecas, não estavam diretamente vinculadas às crianças.

    Eram bonecas decorativas, relacionadas ao universo esotérico.

    A Fada-madrinha era uma boneca que estimulava nossa visualização criativa. A Yogue, trabalhava as virtudes, de acordo com a tradição do Brahma Kumaris. A Tecelã, trazia a crença de que acontece o que a gente tece. O cupido despertava a lembrança do amor universal.

    Nenhuma das bonecas eram para brincar. Eu era uma tecelã que fazia bonecas para presentear adultos, na tentativa de fazê-los lembrar de seu lado espiritual, através da representação que a boneca trazia.

    Foi quando fomos convidados para fundar uma escola rural em Nazaré Paulista.

    O grupo de seis casais ligados ao Centro de Vivências de Nazaré se reuniu para planejar a escola em um sítio. Estudamos várias linhas pedagógicas e decidimos pela Pedagogia Waldorf.

    Eu não conhecia nada do assunto, foi em 1992, mas seria a professora de artes da escola. Então comecei a estudar.

    E descobri o universo do brinquedo Waldorf.


    Comecei a pesquisar e tentei fazer a primeira boneca, ainda frágil, com pernas e pés com pouca tonicidade.

    Foi quando conheci o trabalho de Karin Evelin, mas isso é um assunto para a próxima postagem.

    Karin Evelin Scheven é uma alemã, radicada no Brasil e uma das pioneiras dos brinquedos Waldorf no país. É autora de um importante livro sobre bonecas e o brincar na visão da Pedagogia Waldorf: Minha Querida Boneca.


    Logo após começar a estudar Pedagogia Waldorf, conheci Karin Evelin.


    Ingenuamente, levei para ela uma de minhas fadas. A exemplo do que havia feito, muitos meses antes, a dona do Além da Lenda, ela ficou com a boneca na mão enquanto conversava comigo.


    No entanto, lembro-me como se fosse agora, disse com todas as letras: "Isso não vale nada".


    Se eu fosse outra pessoa, teria desistido ali mesmo. No entanto, humildemente, pedi um estágio em sua oficina. Consegui uma semana trabalhando junto com as demais montadoras.


    Na data marcada, com frio na barriga, fui para o estágio. Antes de começar, a gerente me chamou para acertar. Eu não sabia, mas fui informada que teria de pagar por aquela semana de trabalho voluntário (o equivalente ao meu carro na época), sem direito às refeições que eram servidas na própria oficina. Se quisesse almoçar, o valor subiria.


    Imaginem a cara da pobrezinha da ex-executiva da comunicação que, há pouco mais de um ano, havia optado pelo estilo de vida "simplicidade voluntária" e que estava vivendo de workshops de danças circulares e bonecas.


    Resumo: agradeci envergonhada e me despedi.


    Ao contrário do esperado, não desisti da Pedagogia Waldorf nem de suas bonecas.


    Lutei sozinha até conseguir fazer uma boneca "encarnada", que fosse saudável para a criança e que representasse um ser humano terreno, forte, equilibrado e que deixasse transparecer sua "alma".


    Essa conquista, essa busca pela força encarnatória, é que tento passar para minhas alunas nas oficinas da Boneca Waldorf.


    Quanto à frase "Isso não vale nada", proferida de forma desastrada por Karin, algo impressionante aconteceu. Mais de uma década depois de ouvir a frase desmotivante, já atuando na Pedagogia Waldorf, eu estava em Juiz de Fora, no Seminário Floresta, para fazer um módulo especial de Pedagogia Waldorf com os formandos do curso para professores e médicos ministrado pelo Gaia, do Rio de Janeiro, quando uma conhecida sentou ao meu lado no refeitório na hora do jantar, e disse que queria me contar uma história interessante.


    Ela falou que anos atrás estava na casa de uma prima quando viu uma bonequinha com os dizeres: "Acontece o que a gente tece" em uma etiqueta.
    Ficou muito impressionada e pensou: "deve ter alguma coisa na essência dessa boneca". Ficou com aquela impressão forte e, a partir dali, começou a pesquisar o que teria na "alma" daquela boneca e encontrou a Pedagogia Waldorf.


    Esse encontro com a Pedagogia, segundo me narrava a conhecida, foi tão forte que ela começou a fazer o seminário e tornou-se professora de jardim em uma importante escola Waldorf de Belo Horizonte.


    E completou: aquela boneca de anos atrás, no início de tudo, era uma boneca sua e, agora, eu estou aqui me formando professora Waldorf e você está ao meu lado.


    Tornou-se uma das minhas mais queridas amigas.


    Tudo vale a pena, quando a alma...


    Quando fiz meu primeiro bebê-estrela, estava tentando engravidar.

    Coloquei todo o meu calor e coração na confecção, na esperança de que isso colaborasse com a tentativa, influenciada por uma lenda singela criada em torno do "poder fertilizador" do brinquedo.

    Fiz inúmeros bebês-estrelas desde então, mas a gravidez não aconteceu.

    No entanto, acompanhei diversas situações de alunas e colaboradoras que fizeram o bebê-estrela e engravidaram na sequência.

    Com certeza, deve ser uma feliz coincidência, mas de toda forma o bebê-estrela tem características especiais que mexem com nossa maternidade.

    Confeccioná-lo, após o quarto mês de gestação, é muito importante para a gestante.

    O calor da lã de carneiro, a suavidade da flanela que nos remetes aos antigos cueiros, a forma estelar, lembrando que todos nós temos origem em um cosmos, seja ele, de acordo com nossas crenças, orgânico ou espiritual.

    Tudo isso junto possibilita à gestante uma saudável sensação de interação com o bebê e ajuda a equilibrar o emocional sensível da futura mamãe.

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